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Um a cada cinco dos 38 mil focos de queimadas na Amazônia no ano ocorreu em áreas protegidas

Queimadas na Amazônia afetam áreas protegidas e geram fumaça em Manaus.

Vanessa Almeida
Um a cada cinco dos 38 mil focos de queimadas na Amazônia no ano ocorreu em áreas protegidas

Análise das queimadas em 2026

Em 2026, a Amazônia brasileiro enfrentou um cenário alarmante com um total de 38.620 focos de queimadas, segundo os registros do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Desses focos, cerca de 20% estavam localizados em áreas protegidas, como unidades de conservação e terras indígenas, revelando um padrão preocupante sobre como o fogo está afetando essas regiões vulneráveis. Os incêndios tornaram-se uma questão de preocupação não somente para a biodiversidade, mas também para as comunidades que dependem dessas florestas.

Os locais mais afetados foram os estados do Pará e Amazonas, que concentraram 65% dos incêndios. Este aumento é um reflexo de condições climáticas adversas e de práticas agrícolas inadequadas, onde o fogo é utilizado como técnica de desmatamento e limpeza de terrenos. A identificação de focos de incêndio em áreas de difícil acesso levantou suspeitas sobre a responsabilidade e a natureza desses incêndios, com indícios de ação humana deliberada.

Impactos nas áreas protegidas

As áreas protegidas da Amazônia desempenham um papel crucial na conservação da biodiversidade e na mitigação das mudanças climáticas. Em 2026, 18,9% dos focos de incêndio foram registrados dentro de Unidades de Conservação estaduais e federais, além de Terras Indígenas. Essas regiões são essenciais para preservar espécies nativas e manter os serviços ecossistêmicos que beneficiam a população local e a sociedade como um todo.

Entre as áreas mais atingidas estão:

  • APA Triunfo do Xingu: 677 focos
  • Resex Chico Mendes: 139 focos
  • TI Tumucumaque: 172 focos

Mas essa não é a primeira vez que áreas protegidas enfrentam ameaças. Mesmo em anos anteriores, como 2024, uma alta de incêndios foi notada, com 29% dos focos ocorrendo nessas áreas. A continuidade desses incidentes sugere uma crise persistente que requer mais atenção e medidas efetivas de proteção.

Como a fumaça afeta Manaus

A fumaça gerada pelos incêndios na Amazônia teve um impacto significativo na qualidade do ar em Manaus. Recentemente, a cidade registrou os piores índices de poluição do ar no Brasil, com concentrações de partículas finas (PM2.5) ultrapassando os níveis seguros definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

As correntes de vento atuaram como transportadoras da fumaça, conduzindo a poluição de regiões afetadas pelos incêndios até a capital. Isso exerce um efeito negativo na saúde da população local, aumentando os riscos de doenças respiratórias e complicações de saúde. Além disso, a qualidade do ar se deteriora, desencadeando ainda mais problemas sociais e ambientais na cidade.

Estatísticas alarmantes de incêndios

Os números de queimadas na Amazônia em 2026 são alarmantes e mostram um desvio significativo em relação ao esperado. A maioria dos incêndios concentrou-se nas florestas, que representam 65% dos focos registrados. Os dados obtidos através do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) indicaram que as queimadas estão ocorrendo predominantemente em áreas florestais ao invés de campos ou pastagens.

Aqui estão algumas estatísticas sobre a origem dos focos de incêndio nas 19 cidades do Amazonas mais afetadas:

  • Florestas: 1.622 focos (65%)
  • Campo: 238 focos
  • Pasto: 451 focos
  • Mosaico de usos (agricultura e pecuária): 150 focos

Esses números ressaltam a realidade de que a maior parte das queimadas não está simplesmente ligada a práticas agrícolas, mas sim a um manejo inadequado das florestas nativas.

Consequências para a biodiversidade

A biodiversidade da Amazônia está sob severa ameaça devido à crescente incidência de incêndios. As áreas afetadas são habitat de inúmeras espécies que desempenham papéis vitais nos ecossistemas da região. A perda de biodiversidade pode resultar em desequilíbrios ecológicos e perda de serviços essenciais, como polinização, controle de pragas e a regulação do ciclo da água.

Além disso, a destruição de habitats pode levar à extinção de espécies e à redução da resiliência dos ecossistemas, condições que dificultam a recuperação das florestas pós-incêndio. A degradação do ambiente também afeta as comunidades indígenas e ribeirinhas, que dependem diretamente dos recursos naturais para sua subsistência e cultura.

O papel do El Niño nas queimadas

Em 2026, o fenômeno climático conhecido como El Niño teve um papel significativo nas queimadas na Amazônia. Expertise do Ministério do Meio Ambiente indicaram que o surgimento do El Niño influencia tanto a quantidade de chuvas quanto as temperaturas na região.

Esse fenômeno em particular causa um aumento nas temperaturas e reduz a umidade, favorecendo a propagação de incêndios. As consequências do El Niño se refletiram em uma temporada de queimada atípica, que começou mais tarde e com intensidade maior do que o esperado. O fenômeno, que causa oscilações climáticas, não apenas intensifica as queimadas, mas potencializa a frequência com que esses eventos ocorrem.

Focos de incêndio nas regiões amazônicas

Os dados indicam um aumento acentuado nos focos de incêndios nas regiões amazônicas, especialmente nas localidades próximas a Manaus. Em um espaço de tempo curto, foram identificados 20.203 focos, com uma combinação de práticas de queimadas ilegais e a utilização de fogo na agricultura contribuindo para essa situação.

As regiões que mais sofreram com esse aumento incluem:

  • Pará: 48% dos focos
  • Amazonas: 26% dos focos

As informações coletadas pela Polícia Civil do Amazonas e outros órgãos estão sendo utilizadas para identificar e responsabilizar aqueles que estão intencionalmente provocando incêndios, uma tarefa cada vez mais urgente diante do cenário alarmante.

Esforços do governo no combate ao fogo

Reconhecendo a gravidade da situação, o governo federal, em colaboração com as autoridades estaduais, intensificou os esforços para combater os incêndios. Isso inclui a coleta de evidências e a realização de investigações sobre os responsáveis por iniciar incêndios criminosos. Em atendimento a essa necessidade, já foram abertos 120 procedimentos criminais pela Polícia Civil.

João Capobianco, o ministro do Meio Ambiente, expressou que é essencial desmantelar as operações criminosas por trás desses incêndios. A integração entre diferentes níveis de governo e agen- cias de segurança é fundamental para efetivar a punição de quem tem causado danos irreparáveis.

A necessidade de proteção das florestas

A crescente incidência de queimadas destaca uma necessidade urgente de reforçar a proteção das florestas amazônicas. A preservação desses ecossistemas é crucial não apenas para a biodiversidade, mas também para o bem-estar das populações locais. Medidas como a criação de áreas protegidas, fiscalização rigorosa e o fomento a práticas agrícolas sustentáveis são indispensáveis para reverter a situação atual.

As florestas oferecem serviços essenciais, como regulação do clima e proteção de nascentes, que sustentam a vida na região e, por extensão, em todo o planeta. Portanto, políticas que assegurem a proteção efetiva dessas florestas devem ser prioritárias no debate nacional e internacional sobre mudanças climáticas e conservação.

Reflexões sobre as políticas ambientais

A situação atual da Amazônia evidencia a necessidade de uma revisão nas políticas ambientais. A proteção da floresta não deve ser um mero discurso, mas uma ação prática que envolve comunidades, governos e organizações.

É imprescindível que iniciativas para o combate ao desmatamento e às queimadas sejam fortalecidas através do apoio a projetos que promovam a conservação e a recuperação de áreas degradadas. O investimento em educação ambiental também é vital para conscientizar a população sobre a importância da Amazônia e das vantagens da preservação.

  • A proteção da biodiversidade deve ser prioridade nas políticas públicas.
  • O engajamento das comunidades locais é crucial para o sucesso das iniciativas de conservação.
  • Precisamos de incentivos para práticas agrícolas que respeitem o meio ambiente.

Com a implementação de estratégias eficazes e uma colaboração ampla entre todos os setores da sociedade, é possível criar um futuro sustentável para a Amazônia e minimizar os impactos das queimadas.

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Autor
Vanessa Almeida

Vanessa Almeida

Profissional com passagens por Designer Gráfico e gestões e atuação nas editorias de economia social em sites, jornais e rádios. Aqui no site Jornal a Ilha cuido sobre quem tem direito aos Benefícios Sociais.

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